Destaque Internacional
Obama e Trump se reúnem na Casa Branca para discutir
transição
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recebeu seu
sucessor, Donald Trump, na Casa Branca, nesta quinta-feira (10), para
começar as discussões sobre transição de poder. A reunião foi no Salão Oval.
O empresário chegou às 11h do horário local (14h de
Brasília) à sua futura residência oficial, situada na Pennsylvania Avenue, na
capital do país.
Após o encontro, os dois fizeram um breve pronunciamento,
enquanto posavam para fotos, mas não responderam a perguntas da imprensa.
Obama afirmou que conversou sobre diversos assuntos com
Trump, incluindo política externa e doméstica, segundo a Reuters. Ele disse que
a conversa foi "excelente" e que fará de tudo para que Trump se sinta
bem recebido e tenha êxito em seu trabalho. Disse ainda que vai trabalhar para
facilitar a transição nos dois meses que ainda tem no comando dos EUA.
Já Trump disse que foi uma honra se reunir com o atual
presidente. Ele afirmou que tem muito respeito por Obama e que espera trabalhar
mais com ele o futuro e pedir conselhos a ele enquanto estiver na presidência.
Segundo o magnata, a reunião durou cerca de uma a hora e meia, mais tempo do
que o esperado, e ele e Obama discutiram várias situações, incluindo algumas
dificuldades.
Transição de sucesso
Na terça-feira (8), Obama havia afirmado que instruiu sua
equipe a garantir uma transição de sucesso para o próximo presidente. Obama
afirmou que "não é segredo" que ele e Trump têm diferenças
significativas, mas disse que o felicitou e o convidou para essa reunião na
Casa Branca.
Obama e Trump praticamente não tiveram nenhum contato
prévio. Ao longo da campanha, Trump liderou o movimento que questionou a
cidadania norte-americana de Obama e prometeu reverter as políticas que se
tornaram a marca registrada do democrata depois que assumir o cargo em 20 de
janeiro.
Obama participou ativamente da campanha da democrata Hillary
Clinton, fazendo discursos e mesmo criticando o republicano. Ele chegou a
classificar o bilionário como temperamentalmente inepto para a presidência e
perigosamente despreparado para ter acesso aos códigos nucleares
norte-americanos.
A chefe da campanha de Trump, Kellyanne Conway, disse na
quarta-feira que Obama telefonou para Trump logo após a vitória.
O secretário de imprensa da Casa Branca, Josh Earnest, já
havia dito a jornalistas na semana passada, a bordo do avião presidencial Air
Forte One, que o presidente tinha sua agenda vaga nesta quarta e quinta para
uma possível reunião com o eleito.
Japão
Donald Trump terá uma agenda movimentada durante a transição.
Ele se reunirá com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe. Em princípio, a
reunião acontecerá na quinta-feira (17), na véspera da viagem do chefe de
Governo nipônico ao Peru para uma encontro de cúpula do Fórum de Cooperação
Econômica Ásia-Pacífico (APEC).
Durante a campanha eleitoral, Trump irritou o Japão ao pedir
que o país pague mais para manter as forças militares americanas em seu
território. Ele chegou a sugerir que o país se transforme em uma potência
militar nuclear para proteger-se de um imprevisível vizinho, a Coreia do Norte.
As declarações provocaram indignação no Japão, único país
que sofre um ataque com bombas nucleares. Trump também expressou oposição ao
Tratado de Livre Comércio Transpacífico respaldado pelo presidente Barack
Obama.
México
O presidente do México, Enrique Peña Nieto, disse que
combinou um encontro para definir o rumo da relação entre ambos os países.
Durante a campanha, Trump prometeu construir um muro separando os países para
evitar a entrada de imigrantes ilegais. Ele também chegou a se referir aos
mexicanos como traficantes de drogas.
Pena Nieto afirmou que irá discutir uma nova agenda de
trabalho com Trump que incluirá questões de segurança. Antes da eleição, o
presidente mexicano recebeu críticas da imprensa local por participar de uma
reunião com o então candidato republicano.
Votação
O resultado da eleição americana foi definido por
volta das 5h30 desta quarta-feira. Ao longo da noite, enquanto a apuração
avançava, Trump conquistou vitórias surpreendentes em estados-chave, abrindo
caminho para a Casa Branca.
Contrariando as sondagens, Michigan, Wisconsin e Pensilvânia
votaram em um republicano pela primeira vez desde os anos 1980. Juntos, esses
estados têm 46 delegados.
Além disso, Hillary perdeu em Flórida, Carolina do Norte e
Ohio, que são alguns dos chamados "swing states" – que têm grande
número de delegados no colégio eleitoral e onde, historicamente, não há
favorito. Quase sempre, eles são decisivos nas eleições americanas. A Flórida tem
29 delegados, Ohio tem 18, e Carolina do Norte, 15. O candidato precisa ter 270
delegados para ser eleito presidente.
Para ganhar a eleição, os democratas contavam com votos dos
estados do Centro-Oeste, como Iowa, Ohio e Wisconsin, por causa do tradicional
apoio dos negros e dos trabalhadores brancos. Mas muitos dos brancos dessa
região, especialmente sem formação universitária, decidiram votar em Trump.
A importância desse grupo para os democratas tinha sido
subestimada em projeções feitas antes do pleito, segundo o jornal "The New
York Times". Analistas dizem o apoio desses trabalhadores a Obama já tinha
sido menor em 2012, principalmente pelo receio de perder o emprego para outros
países.
Os trabalhadores rurais de estados centrais e do Norte
também escolheram em peso o republicano e fizeram diferença no resultado.
(Fonte: G1)

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