Ministério aponta 1,1 milhão de irregularidades no Bolsa
Família
Um pente-fino feito pelo Ministério do Desenvolvimento
Social e Agrário (MDSA) encontrou irregularidades em 1,1 milhão de benefícios
do programa Bolsa Família, de acordo com a pasta. As irregularidades
representam 7,9% dos 13,9 milhões de benefícios. Em todos os casos, foi
constatado que a renda das famílias era superior à exigida para a participação
no programa.
O ministério determinou o cancelamento de 469 mil dos
benefícios. Nos outros 654 mil casos em que foram encontradas irregularidades,
o governo determinou a suspensão dos pagamentos até que sejam esclarecidos
eventuais erros no cadastro dos beneficiários.
O Bolsa Família é voltado para famílias em extrema pobreza,
com renda per capita mensal de até R$ 85,00, e para famílias pobres, com renda
per capita mensal entre R$ 85,01 e R$ 170,00.
O cancelamento do benefício foi determinado para famílias
que, segundo o pente-fino, têm renda per capta acima de R$ 440. Já o bloqueio
foi aplicado nos casos em que o ministério verificou renda familiar per capita
entre R$ 170 e R$ 440.
Os cancelamentos e bloqueios serão informados via extrato
bancário ou pelo aplicativo de celular do Bolsa Família. O comunicado trará o
motivo do corte e os procedimentos que deverão ser tomados. O prazo de
regularização será de três meses
Segundo o ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar
Terra, serão realizadas verificações mensais para identificar eventuais fraudes
no cadastro do Bolsa Família. Ele deu entrevista coletiva em Brasília no
início da tarde para apresentar os dados sobre irregularidades no
programa.
“Nós vamos, todos mês, passar um pente-fino, vai ser uma
ação regular”, disse o ministro de Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar
Terra. “O objetivo é separar o joio do trigo. Quem precisa, terá acesso ao
programa”, completou.
Além dos beneficiários que tiveram o pagamento suspenso ou
cancelado, outras 1,4 milhão de pessoas foram convocadas para fazer atualização
cadastral. Essas famílias, com renda per capita menor que R$ 170,continuarão a
ser atendidas.
Com os benefícios que deixarão de ser pagos após o
pente-fino, o governo estima que deixará de ter um gasto anual de R$ 2,4
bilhões. O ministro ponderou que esse valor pode mudar à medida em que
esclarecimentos sejam fornecidos pelos beneficiários e bloqueios sejam
revertidos.
Terra disse que o valor economizado será revertido para
programas sociais ou para novos benefícios do Bolsa Família, com possibilidade
inclusive de contribuir para um reajuste do benefício em 2017. “O reajuste
deste ano foi muito acima da inflação, o do ano que vem também pode ser”,
disse..
Segundo o MDSA, o programa tem hoje cerca de 13,9 milhões de
beneficiários. Ao aderirem ao programa, as famílias têm que cumprir algumas
contrapartidas, como manter frequência escolar das crianças e o cartão de
vacinação em dia.
Doações eleitorais
No dia 3 de novembro, o governo anunciou que 13 mil beneficiários do Bolsa
Família haviam sido convocados para atualização cadastral. Os pagamentos a
essas pessoas haviam sido bloqueados após a constatação, por meio de cruzamento
de dados, de que elas fizeram doações eleitorais.
No anúncio, o ministério informou que os beneficiários têm
permissão para fazer doação eleitoral, mas seria necessário verificar a coerência
entre a doação e a renda da pessoa.
O prazo para esse esclarecimento é de seis meses. Se não for
apresentada nenhuma justificativa nesse período, o benefício será cancelado. As
famílias que não se enquadram mais nas regras do Bolsa Família serão desligadas
do programa. Nos casos em que não houve doação, mas o CPF do beneficiário
consta entre os doadores, é preciso comunicar o erro à gestão do Bolsa Família
no município.
(Fonte: G1)
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